domingo, 26 de outubro de 2014

Entrevista

(Entrevista, na íntegra, realizada pelo jornal Zero Hora à psicóloga Graziela Jungbluth Freitas)

      Qual origem do termo Slow Parenting?  Ele é cunhado por quem e quando?
A tradução exata deste termo seria parentalização lenta, mas no brasil há alguns movimentos denominados “Pais sem pressa”, termo que nos apropriamos aqui no RS para disseminar este conceito através do blog, de eventos e projetos. O termos Slow Parenting foi proposto pelo escritor canadense Carl Honoré, surgindo nos Estados Unidos como uma filosofia contemporânea na educação das crianças. O termo é muito novo, mas não sei precisar a data exata em que surgiu.

A que exatamente o termo se refere?
Refere-se a consciência ampliada sobre deixar as crianças explorarem o mundo a sua maneira. Diminuir a velocidade das exigências com os filhos e deixar espaço par estar presente como pais. É parar deler e-mails enquanto brinca com os filhos. Parar de apressar as tarefas de rotina para não chegar atrasado em agendas lotadas de compromissos. E desta forma, tornar a vida da família mais simplificada. Menos “fast” para tudo, menos consumo, menos metas, menos comparações, menos buscas desenfreadas por patologias (rótulos) e soluções médias. Mais pais, menos pressa e mais presença.

Desde quando se tornou popular na Europa e EUA e quando foi introduzido no Brasil?
Não tenho a informação exata de quando se tornou popular na Europa e EUA, mas o livro “Sob Pressão”, do Carl Honoré foi o primeiro a tratar este tema e foi lançado no ano de 2009 em inglês (Under Pressure). Aqui no Brasil, o primeiro registro popular que temos foi em novembro do ano passado, em São Paulo, onde aconteceu um evento aberto ao público e reuniu mais de 1.500 pessoas. Já aqui no RS estaremos promovendo o primeiro debate com pais em um evento chamado “Conversas do Bem - #PaisSemPressa” que irá ocorrer no dia 27/10, 19:30 na escola Monteiro Lobato. Temos também o projeto de lançar um livro sobre o tema no ano que vem, bem como promover o primeiro encontro aberto ao público em Porto Alegre.

Quais os principais princípios deste conceito?
O conceito original prevê sete mandamentos. Particularmente gosto deles, mas estamos propondo uma conversa mais ampla e mais profunda. Não queremos seguir a risca um movimento internacional e sim entender as necessidades das crianças e dos pais na nossa cultura. Acima dos mandamentos proposto pelo criador do termo, entendemos que o movimento Pais sem pressa precisa ser baseado em afeto, permissão e presença. Não acreditamos em fórmulas de como um filho deva ser educado. Propor algo nesta linha seria apenas substituir conceitos. Porém alguns princípios seguem sendo atuais. Pais precisam estar mais presentes, não de forma quantitativa, mas qualitativamente. Observar, dialogar e escutar ainda não essenciais para desenvolver um espaço familiar sadio.
Mandamentos Pais Sem Pressa (adaptado por nós):
-       Sem agenda: sabemos que as crianças possuem agendas extensas e as vezes as atividades podem estar sendo prazerosas. Mas alguns questionamentos profundos a serem realizados: é mesmo necessário toda esta agenda? Meu filho está bem (emocionalmente) com esta agenda? Ela tem a permissão de não querer mais esta agenda?
-       Mini-executivo: nós adultos sentimos o peso de agendas sobrecarregadas, imagina uma criança. Além disto, observamos que está sendo frequente as crianças serem chamadas (e posicionadas) como mini-executivos, mini-chefes, mini-modelos, entre outros... Criança é criança, e não “mini-alguma coisa”.
-       Dê ouvidos: escutar o filho é básico para uma relação de amor e confiança. Mas isto tem confundido os pais a pensarem que significa deixar os filhos fazerem o que quiserem. Dar ouvidos é gerar permissão para que as crianças sejam quem querer ser, sem abrir mão de fazer o que precisa ser feito.
-       Menos, menos: brincar não deveria estar nas agendas. Brincar é condição do desenvolvimento da criança. A falta deste espaço, somado a alta carga de cobrança e expectativa, geram ansiedade e sintomas físicos.
-       Tédio faz bem: mais uma vez, podemos utilizar a própria experiência como adultos. Todos nós gostamos de momentos de descanso, sem compromissos e expectativas. As crianças também. São nestes momentos que a mente se expande a novos e livres pensamentos, desenvolvendo a criatividade e diminuindo a ansiedade.
-       Ócio familiar: a família toda precisa entrar neste clima “slow”. Deixar a agenda livre para família faz bem à todos os membros. Poder estar livre para cozinhar, brincar, conversar, jogar. Mas como tudo, é preciso cuidar o equilíbrio desta gestão das atividades. Pais sem pressa não é ócio na educação. Excesso de ócio pode caracterizar pais ausentes e filhos indisciplinados. O ócio precisa ser cultivado como um valor, porém como um momento específico. Criança precisa de rotina e limites.
-       Novos amigos: deixar a criança se relacionar com outras crianças. O círculo social dos filhos precisa ser maior do que apenas o círculo familiar.

      De onde surgiu a necessidade desta desaceleração das crianças?
Percebemos que primeiro surgiu a aceleração dos adultos. Gerações de adultos obcecados por carreiras intensas, com necessidades de crescimento rápido. Com isto, estes pais acabaram “acelerando” os seus filhos como consequência de suas próprias vidas. Correr para se vestir, tomar café, arrumar o material, entrar no carro... A necessidade dos filhos correrem para acompanharem a vida frenética dos pais. Na sequencia, os mesmos pais começaram a “pressionar” os filhos a serem super filhos. Precisam ser os melhores na escola, no condomínio, na família. Com o passar do tempo, este ritmo acelerado trouxe problemas emocionais e perdas significativas na qualidade de vida dos adultos, que então passaram a buscar uma forma de desacelerar suas vidas e se preocupar com o que realmente importa. E os filhos costumam ser consequência das escolhas dos pais. Por isso a filosofia Pais sem pressa tem crescido. A busca para que os filhos não vivam o alto grau de estresse que nós adultos temos vividos para cumprir com expectativas sociais.

Quais os benefícios práticos de deixar a criança mais tempo no ócio e não estimula-la com diversas atividades?
Antes de mais nada, acredito que seja interessante esclarecer o que seja este ócio citado nos princípios do Pais sem pressa. Ócio como uma atividade sem um objetivo específico. Ócio no conceito já apresentado pelo italiano Domenico de Masi: ócio criativo. Ou seja, não é a ausência de atividade, ou mais vulgarmente falando, não é a vagabundagem. Acima de tudo o importante é deixar a criança explorar o seu próprio mundo, o que lhe interessa e o que lhe desperta atenção. Desenvolver habilidades por ela própria, de forma livre, sem compromisso. Isto acalma e amplia a criatividade. Este ócio vai ajuda-la a descobrir suas habilidades sem que isto seja uma cobrança ou uma expectativa.

Em termos neurológicos, existem malefícios comprovados desta super estimulação das crianças?
Não tenho nenhuma informação específica de estudos comprovados. Posso observar as vantagens e desvantagens deste modelo de educação através dos mais de dez anos de atendimento clínico à crianças e famílias. O que percebo são famílias culpadas, se sentindo pressionadas pela própria cultura social e para obter a sensação de proteção do filho, acabam incluindo as crianças neste modelo acelerado, consumista, competitivo e “mini-adulto”. Estes anos todos me levaram a confirmar que este tipo de conduta é um dos fatores que tem ligação direta com questões de ansiedade, desatenção, desmotivação e dificuldade relacional. 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Crianças hoje, adultos amanhã

(texto escrito por Gabriel Carneiro Costa)

A minha experiência se baseia muito no atendimento à adultos, tanto em processos individuais quanto em workshops ou trabalhos em grupos. E se tratando de adultos, pois aspectos se tornaram muito relevantes para desenvolver este projeto do Pais Sem Pressa.
            O primeiro aspecto refere-se a grande observação a respeito das angústias dos pais de hoje. Nunca tivemos uma geração de pais tão vigilantes dos seus filhos e ao mesmo tempo tão ausentes. Estes pais pagam para rastrear o filho por GPS, mapeiam o que os filhos assistem na web, controlam o que veem na TV, assistem por web cam como os filhos estão se saindo na escola, levam a diversos profissionais para todos os tipos de acompanhamento. Isto tudo no meio de uma tumultuada e tensa agenda de trabalho. É a ansiedade sendo multiplicada ao invés de neutralizada. Ao mesmo tempo, estão muito distraídos dos papéis de pais no que se refere a presença, não somente quantitativa quanto qualitativa. O tempo ficou escasso, o cansaço ficou elevado, a tecnologia nos deixa on line o tempo todo e as diversas opções do que podemos fazer em nossos tempos livres nos afastaram de estarmos mais próximos de corpo presente dos nossos filhos. Então começa também a surgir uma geração de pais culpados, e exigentes consigo mesmo. Depositam no material e na ascenção social a solução para suas ausências, ensinando aos seus filhos que este é o caminho. Que por sua vez, por uma questão lógica, irá querer a mesma ascenção ainda mais rápido visto que este é o caminho aprendido. Estamos nos desconectando de nós mesmos para vivermos um conceito equivocado de rede. A idéia colaborativa não é viver focado somente no “nós”. Mas sim no “eu + nós”. Lembre-se: “em caso de emergência máscaras de oxigênio caíram a sua frente. Certifique-se que a mesma esta devidamente colocada em você para então ajudar aos demais”. Estamos esquecendo da parte “primeiro cuide da sua saúde, depois cuide da saúde dos outros”. Estamos mais preocupados em parecer sermos bons pais do que sendo. Postamos nas redes sociais imagens lindas de presença com os filhos, mas estamos deixando de viver as imagens lindas com os filhos. E mostrar é diferente de viver. Está na hora dos pais pararem de pensar que são bons pais e começarem a ser bons pais. E isto é muito, mas muito diferente. E na minha experiência, isto já está na consciência coletiva, apenas não sabemos como resolver. Vivemos neste automático que não questionamos o que pode ser feito de diferentes. Todos os pais querem mudança, mas nem todos os pais querem mudar. Este foi o primeiro gatilho que me moveu a criar o movimento Pais Sem Pressa.
            O segundo aspecto é as crianças que os adultos se tornam. A grande maioria das pessoas que cruzam pelo meu trabalho não conseguem alcançar a vida que desejam. Passam muito tempo tentando, mas sem resultados assertivos. Muita gente apenas sobrevive, e infelizmente poucos vivem. Se tornam adultos murchos. A vida retirou deles todo o brilho, a alegria, a esperança, o amor, a energia. E estas pessoas também me instigam. O que ocorreu no caminho desta pessoa? Não acredito que isto seja genético ou apenas azar do destino. Algo o levou até este ponto e este algo me interessa na condição observador do comportamento humano.

            Diante das experiências mais profundas, geralmente em workshops de imersão, utilizo de ferramentas de conexão com a criança interior de cada um. E na perspectiva de um adulto, não é possível mudar a criança que fomos, mas é possível mudar a criança que temos dentro de nós. Nestes últimos anos acumulando este tipo de experiência, percebo que muito destas pessoas que murcharam ao longo da vida, são frutos de uma educação familiar muito carente. Não tiveram experiências positivas e saudáveis nas suas relações parentais. Iremos abordar diversos temas ao longo do livro, mas o ponto-chave é perceber que não há a mínima possibilidade de desenvolver presença, afeto e permissão em um estilo de vida pressionado, acelerado e com pouco espaço para diálogos profundos. E é neste ponto que mais uma vez minha experiência acumulada me leva a pensar na filosofia Pais Sem Pressa que estaremos debatendo neste blog.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Ser quem quiser não é fazer o que quiser

A cultura do excesso de fiscalização só tem espaço para um povo que não foi educado. E o Brasil, infelizmente, não foi educado.
E não me refiro à escolas, mas sim a uma visão muito mais ampla de sociedade. Me refiro à caráter. 
É lindo quando vemos países mais desenvolvidos sendo livres, sem controles rígidos, sem punições, sem fiscais... Mas lá funciona não por causa do governo (como muitos críticos por aqui gostam de dizer), mas por causa das PESSOAS. E pessoas são educada por seus PAIS. Ponto final.
Li um texto de Tite Geraldo e gostei muito. Por aqui, não basta uma placa sinalizando que é proibido estacionar, precisa de um fiscal.
Não basta uma placa avisando que é proibido pular uma cerca em um zoológico, é preciso um fiscal. Caso contrário, somos um povo composto por uma criança desafiadora, um pai pouco "firme" (que alegou não ter tirado o filho de lá pois o mesmo estava insistindo) e visitantes mais preocupados em filmar do que "puxar" uma criança para fora de uma zona de risco.
É isto! Por aqui continuaremos debatendo quem foi o culpado sobre a tragédia do zoológico ao invés de criarmos conversas muita mais profundas que poderiam explicar porque episódios como estes ocorrem na nossa cultura. No meu ponto de vista, o mais assertivo seria questionarmos o que NÓS podemos fazer de diferente. Seja na posição de pais ou de visitantes de um zoológico. Ficar debatendo o que o governo, a administração do parque, o pai daquele menino e etc poderiam ter feito, é mais uma vez, desenvolver julgamento sem reflexão própria.
A placa "proibido ultrapassar a cerca" deveria ser tão respeitada como "devolver o troco", "parar na faixa de segurança", "não beber e dirigir", "não exceder o limite de velocidade"... Mas enquanto precisarmos de figuras de autoridade para que estas práticas sejam exercidas, estaremos delegando a educação do nosso povo.
Aqui no blog #PaisSemPressa temos percebido algum grau de confusão sobre o tema. Pais sem pressa não são pais que deixam os filhos fazerem o que querem. Ao deixar as crianças fazerem o que querem não estamos ensinando obediência, e aí teremos muitas "placas da vida" que serão desconsideradas. Criança precisa sim de orientação, limites e obediência. O que criança não precisa é de uma pressão por serem perfeitas e superarem as expectativas dos adultos.
Pais sem pressa estão presentes na educação e na formação de um filho. Sabendo equilibrar a permissão para que uma criança possa ser em quem ela quer ser, sem necessariamente fazer o que quiser fazer.
E quando assim for, as placas darão o recado suficiente para que tudo funcione como deva funcionar.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Criança nenhuma precisa de super pais.



A frase do título deste post não é nossa, mas gostamos muito.
Na ânsia por sermos pais perfeitos geramos pressa, pressão, ansiedade e elevadas expectativas que inevitavelmente não irão se cumprir.
Todo este modelo é passado desde cedo para as crianças.
Precisamos, antes de mais nada, sermos pais suficientemente bons. Estarmos presentes. Orientarmos. Dar amor e afeto. Ser exemplo.
Recebemos recentemente uma mensagem de uma mãe que dizia deixar seu filho fazer o que ele quisesse. Isto para nós não é #PaisSemPressa. Isto é "pais sem presença", e já abordamos este assunto em outro post (Pais sem pressa não é ócio).
Não confundir permissão com omissão. A nossa filosofia é de orientação, de diálogo, de ouvir e de falar. Mas nada disto ocorre sem presença. Gerar permissão para as crianças sejam quem elas querem ser, que é muito diferente de deixar elas fazerem o que quiserem.
Sermos apenas bons pais. Isto já é muito para nós, e para eles!

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Pais Sem Pressa não é ócio!



É importante deixar claro que o #PaisSemPressa é baseado no conceito Slow Parenting. Porém, este conceito por ser recente, ainda é muito debatido e por isso, muito do que nos posicionamos e provocamos através da filosofia é baseado na nossa interpretação e adaptação do conceito.
Partindo deste pressuposto, entendemos que estar sem pressa na formação dos filhos não é ócio, ausência, ou simplesmente "faça o que você quiser".
Continuamos concordando (e muito) que o caminho para a educação de um filho é baseado em valores, ações norteadas, limites, rotina, conversas e principalmente no conhecimento profundo de quem realmente é este filho.
Sendo assim, a nossa proposta no #PaisSemPressa é fazer uma reflexão sobre as pressões que são colocadas de forma precoce nas crianças. Muitos pais adotam o princípio de dar o que não tiveram ou até mesmo de dar mais cedo aquilo que nem mesmo ainda tem, considerando que assim estarão preparando o filho para "sobreviver" e "competir" no mundo dos adultos, esquecendo de escutar (e não necessariamente obedecer) o que eles precisam e proporcionar uma educação para "viver" (que é muito diferente de "sobreviver").
Esta atual geração de pais é a geração mais ansiosa que já tivemos. É a pressa que está se deixando de herança para que os filhos paguem uma conta que não são deles. E esta pressa já começa até mesmo antes destas crianças nascerem. Pressa para engravidar. Pressa para que o filho nasça. Pressa para começar a falar, caminhar, ler. Pressa para se desenvolver e se destacar. Pressa para serem geniais e socialmente "acima da média". Pressa para escolherem a profissão. E pressa para se tornarem adultos que elevem o PIB (Produto Interno Bruto). O problema é que nesta busca toda, a prioridade é a competição e a preparação para um mundo executivo, e não para o FIB (Felicidade Interna Bruta).
Obviamente a maioria destes pais agem desta forma por bem. Entendem que com esta preparação farão os seus filhos felizes. Mas aí fica uma pergunta: sejamos francos, neste ritmo frenético de sermos os melhores, nós (pais) estamos sendo realmente felizes? E se estamos, será que esta será a felicidade dos nossos filhos? Nós já conhecemos o preço que pagamos.
E portanto, será que é este mesmo o caminho? Tentar produzir filhos de sucesso profissional garante algum traço de felicidade para eles?
Acreditamos que não. Mas por outro lado, uma formação sem pressa não é ócio.
Pais sem pressa não se omitem, não fogem, não delegam. Pais sem pressa se dedicam, escutam, refletem e respeitam as individualidades que todos os seres humanos tem, até mesmo seus filhos.
Acima de tudo, a educação e formação "sem pressa" é baseada na conexão. É permitir que a criança viva cada uma das suas fases. Proteger do que não sabem. E cobrar somente aquilo que já sabem.
Criança tem que brincar como criança. Temos orgulho de ver nossos filhos se desenvolvendo mais cedo do que nós nos desenvolvemos, mas simultaneamente pagamos contas caras para curar as ansiedades, déficit de atenção, transtorno de humor, hiperatividade...
Somos do conceito que acima de tudo nossos filhos deveriam ser pessoas felizes. E para isto também precisarão da nossa presença e do nosso olhar. De forma muito mais intensa do que este excesso de tarefas delegadas.
E por fim, a filosofia #PaisSemPressa não é algo poético e utópico de ser seguido todos os dias, em todos os momentos. Até mesmo porque se fizer esta busca, deixará de ser "sem pressa", competindo com uma culpa interna não deixando fluir o amor soberano dos pais.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Slow Parenting

O blog #PaisSemPressa é baseado em um conceito e um modelo já existente!
Surgiu nos Estados Unidos (justamente o berço das gerações pressionadas) e chama-se "Slow Pareting".
Mas afinal, o que é Slow Parenting?
Na tradução literal, seria uma parentalização lenta. Diminuir a velocidade das exigência com os filhos e deixar espaço para estar presente como pais.
É parar de brincar enquanto lê e-mails. Para de apressar as tarefas de rotina para não chegar atrasado em agendas lotadas de compromissos.
Tornar a vida da família, e por conseqüência dos filhos, mais simplificada. Menos "fast" tudo! Menos consumo. Menos metas. Menos comparações. Menos buscas desenfreadas por patologias e soluções médicas.

E não é isto que muitos de nós adultos também buscamos?
A tendência slow já é forte em diversos países e culturas. Mas nós brasileiros seguimos o padrão capitalista ao extremo dos americanos sem termos a economia americana. E isto acabou gerando uma geração de pessoas hiperativas, ansiosas, depressivas e extremamente preocupadas.

O problema começa pois entendemos que para sermos bons pais e ativos, precisamos propiciar diversas experiências para os filhos, e assim garantirmos melhores conhecimentos e desempenhos. E assim, estarão "prontas" para viver neste mundo pressionado que tanto reclamamos!
Não seria mais lógico que ao invés de preparar eles para suportar a pressão (o que particularmente não acreditamos ser possível), preparar eles para mudarem este estilo social onde as gerações X e Y já pagam um alto preço?

Isto é Slow Parenting!
E é nisto que o #PaisSemPressa quer trabalhar. Queremos desenvolver eventos e projetos de impacto social para disseminar este conceito.
Pais desruptivos por amor rompem modelos sociais e definitivamente abrem espaço para uma nova geração que não precise repetir modelos comprovados que não geram saúde.
Já conhecemos os diversos problemas causados pela vida moderna. Queremos nos preparar ou queremos mudar?

O canadense Carl Honoré é um dos difusores do Slow Parenting e ele define sete mandamentos desta filosofia:
1. Sem agenda: Crianças de até cinco anos não precisam de agendas estruturadas. Precisam de rotina, mas devem aprender de forma livre.
2. Miniexecutivo: Atividades extra-escolares são ótimas para exercitar corpo e mente. Mas se tornam exaustivas quando quando é focada no "currículo" da criança.
3. Dê ouvidos: A opinião da criança deve ser considerada na hora de escolher uma atividades.
4. Menos, menos: Simplifique a agenda do seu filho. Deixe espaço livre para "apenas" brincar.
5. Tédio faz bem: Deixar as crianças entediadas estimulam a criatividade.
6. Ócio familiar: Reserve espaço para "fazer nada" em família. Conversar, jogar, cozinhar, brincar... Sem nenhuma programação prévia.
7. Novos amigos: No parquinho evite brincar com a criança o tempo todo. Deixe ela brincar com outras pessoas.

#PaisSemPressa - um movimento, uma filosofia.



Sejam bem vindos ao blog Pais Sem Pressa.
Criamos este blog para disseminar um conceito, uma filosofia. Criamos este blog para unir pessoas com as mesmas buscas. Criamos este blog para abrir espaço a construir algo novo.

O #PaisSemPressa nasceu da observação da pressão exagerada que está sendo colocada nas crianças de hoje. As crianças das gerações Z (nascidas entre 2000 e 2010) e Alpha (nascidas depois de 2010) são comprovadamente mais evoluídas. Porém, já sentem o peso disto.
Vemos pais incentivando seus filhos a excessos de atividades em uma busca frenética por desde muito cedo desenvolverem talentos e vencerem no mundo profissional.
Também sabemos o quanto é importante desenvolver rotina e hábitos para as crianças. E jamais seremos contra atividades extra-escolares.
Mas queremos sim propor o debate: é preciso tudo isto?
As pessoas mais felizes que cruzaram as nossas vidas eram, acima de tudo, pessoas que definiram seus próprios critérios de vida, e não estão preocupadas em atender à exigências sociais de ser e ter.
Uma criança precisa mesmo ter agenda tão recheada quanto a de um adulto?
Brincar precisa ser agendado?

Acreditamos nos pilares do afeto, da presença e da permissão. Antes de mais nada, crianças precisam ser crianças.
E o melhor presente que os pais podem das aos seus filhos é presença.

E aí nasce este conceito de #PaisSemPressa, como uma espécie de filosofia e estilo de vida. Propiciar momentos de práticas e espaços sem cobranças baseado em tempos cronológicos. Gerar permissão para que as crianças descubram o mundo através dos seus próprios olhos.
Valorizar mais o que a criança gosta e sabe fazer, e diminuir o foco daquilo que nós pais desejamos para atender às nossas próprias vontades e frustrações.

Pretendemos criar aqui este espaço!
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Mais Pais! Menos Pressa!